Um lugar tranquilo bem no centro de Salvador

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Mais conhecido como reduto da boemia e por abrigar espaços culturais diversos como o Teatro Castro Alves, colégios tradicionais, várias igrejas e um movimentado comércio em sua rua principal, o bairro do Garcia esconde dos visitantes apressados um recanto tranquilo, acolhedor e com ares de pequena cidade do interior. É no fim de linha do Garcia, também conhecido como Fazenda Garcia, que a vida flui mais sossegada, em meio a casas simples, rodadas de dominó e o indispensável jogo de futebol na praça.

Populoso e residencial, o Garcia é um dos bairros mais antigos de Salvador e possui outros atrativos como os seus bares, restaurantes familiares, uma arquitetura que mistura construções antigas e novas de estilos variados e a veia artística dos seus moradores, que atrai para seus espaços os amantes da boa música.

O Garcia é um celeiro de compositores, como o sambista Riachão, que ainda mora lá, no fim de linha. E é perto dali que se reúnem os músicos para apresentações no Aconchego da Zuzu, bar e restaurante com comida caseira e música ao vivo. O atendimento especial é garantido pelos membros da família, que vivem em casas ao redor do mesmo quintal onde funciona o estabelecimento. O restaurante também é a sede do Centro Cultural e Social Nelson Rufino, que presta apoio aos pequenos compositores. E as reuniões semanais do Grupo Vivavós, formado por avós que gostam de samba e de atuar no palco, também ocorrem lá.

Um pouco de história

 

Pavimentação da Ladeira do Garcia

O bairro teve origem no final do século XVI, quando se constituiu a Fazenda Garcia D’Ávila, um dos maiores latifúndios do Brasil. A fazenda pertencia ao Conde Garcia D’Ávila, senhor da Casa da Torre, que criava gado e estocava escravos no local, enquanto não eram vendidos a outros senhores.

Depois a terra passou ao Mosteiro de São Bento, em seguida para o Coronel Duarte da Costa e, por fim, para a União Progresso Fabril da Bahia (propriedade da família Catharino).

Alguns estudiosos acreditam que a comunidade se formou por iniciativa dos trabalhadores da fazenda. Os empregados moravam em casas construídas pelos patrões, onde hoje fica o fim de linha do bairro. A região cresceu à medida que os trabalhadores foram formando famílias e construindo novas casas.

Com a falência econômica da União Fabril, no início do século XX, a família Catharino, perdeu o todo o patrimônio imobiliário. A partir daí, pequenos pedaços da fazenda foram sendo arrendadas para aqueles que trabalhavam no local e para os migrantes que procuravam oportunidades de emprego em Salvador. Foi o início da consolidação do novo bairro, que viu surgir, junto com a nova população, empreendimentos educacionais voltados para os filhos da classe média da cidade.

Solar Conde dos Arcos

Do outro lado do bairro, as marcas atuais são religiosas, e as casas, hoje, se misturam com prédios. Foi na Avenida Leovigildo Filgueiras que, no final do século XVIII, construiu-se o solar que abrigou o 8º Conde dos Arcos, dom Marcos de Noronha Brito, último vice-rei do Brasil. Ele foi governador da Capitania da Bahia de 1810 a 1817. Quando transferido para o Rio de Janeiro, em 1818, construiu um casarão nos padrões do Solar Conde dos Arcos da Bahia.

Em 1938, o espaço foi tombado como patrimônio histórico e comprado pela missão presbiteriana norte-americana, passando a abrigar o Colégio Dois de Julho (hoje Fundação Dois de Julho – entidade mantenedora do colégio e da faculdade). A tradição religiosa no ensino já existia no bairro com a construção pelos jesuítas do Colégio Antônio Vieira, em terra adquirida da Fazenda Garcia, em 1932. Hoje, há ainda outras instituições de educação, com tradição religiosa, como o Colégio Sacramentinas.

Próximo à Fundação Dois de Julho, há o parque da Arquidiocese de São Salvador – construção do século XIX que guarda riquezas arquitetônicas. Este funcionou como o Asilo Conde de Pereira Marinho e por muitos anos foi ocupado pelas Dorotéias. Ele não é tombado pelo patrimônio histórico. No entanto, a atual reforma busca preservar todas as características originais. No bairro, há representações de outras religiões. A Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes fica no final de linha. Antes, era uma capela, construída em 1906.

O bloco da mudança

Bloco Mudança do Garcia

O Garcia também é conhecido por ser a concentração de blocos alternativos que desfilam por suas ruas durante  o carnaval. Atração tradicional do bairro,  o bloco Mudança do Garcia é bem popular e irreverente. Seus foliões costumam confeccionar as fantasias e cartazes de protesto, geralmente contra políticos e governantes, e saem ao som de bandas de sopro e de percussão. Pessoas de todas as idades e classes soci-ais, fantasiadas ou não, participam do cortejo, que sai sempre na segunda-feira do final de linha em direção ao Campo Grande.
Este ano o Ministério Público Estadual  proibiu a participação de animais durante o percurso. Por isso evento não conta mais com as tradicionais carroças de alegorias puxadas por jegues.
 Fontes: A Tarde on line e Fazenda Garcia.wordpress.com